Ser pobre é uma merda!
Não consegui encontrar forma melhor de expressar meus sentimentos após embarcar – pela primeira vez em 30 anos – num vôo classe executiva com destino a Paris. Na realidade, Melbourne – Singapura – Paris.
Bastou vestir um terno e carregar um bilhete de embarque para classe executiva que o mundo ao meu redor se tranformou. Thierry nunca mais! De agora em diante é Mr. Panthier, pronunciado com sotaque anglo-asiático-franco-confuso.
Sorrisos abrem meu caminho com destino ao assento 22K, uma poltrona com espaço suficiente para norte-americano legítimo. São tantos botões que nem meus nove anos de engenharia podem ajudar. É o tipo de coisa que ou você conhece pois foi criado nisso ou desiste porque não lhe pretence mesmo.
Sou recebido com uma taça de vinho, um menu – sim, um menu! – com quatro variedades de comida para o jantar e ,obviamente, uma carta de vinhos e champagne. Como reagir diante de tantas opções?! Ignore o menu, ignore as sugestões e seja Business Class! Peça algo exótico acompanhado de um vinho raro, apenas para arrancar o sorriso das comissárias e fazê-las ruborizar ao dizer: perdão, mas não temos. Pensei, mas não o fiz. Não devia.
A atenção das comissárias de bordo é tamanha que fiquei tentado a sujar minhas fraldas e berrar por comida. Nem a mais carinhosa das mulheres é capaz de tratar seu marido dessa forma. Se enfermeiras tivessem metade do treinamento de uma comissária de bordo, ai sim envolvimento emocional em hospitais seria um problema.
Ah, e o charme… É impressionante o charme de um business class. Olhares desconfiados me seguem, tentando decifrar esse ser que carrega em suas mãos o bilhete da felicidade. Sou tão irresistível que às vezes me pego piscando para mim mesmo nos espelhos do corredor.
Portas se abrem. Rostos se transformam. O mundo flui.
E tudo isso por causa de um simples bilhete que me garante uma poltrona maior e comida de verdade.
Eu sou o mesmo. Mas, definitivamente, me sinto diferente. Seduzido por um mundo ao qual não pertenço.
Não sei se estou feliz por conseguir tanta mamata da empresa ou se fico triste por não conseguir imaginar quando isso irá acontecer novamente.
O importante foi constatar que pedir não ofende nem machuca. E que a sorte vêm para aqueles que a procuram.
maio 10, 2009 às 2:14 pm |
Hahaha! Adorei o nome do post, porque também acho que ser pobre é uma merda!
E eu preciso viver essa experiência aí…
Classe econômica NINGUÉM MERECE!
Ah! Adorei o blog! Já fiz até um link no meu!
Escreva sempre!
Beijos!
maio 11, 2009 às 1:49 am |
Como diz o cantor de brega Falcão: “Dinheiro não é tudo, mas é 100%!!!”.
Aqui no Brasil a moda é a mesma: Business Class!!! Só que com o dinheiro do contribuinte…. O escândalo da vez são as passagens aéreas usadas pelos deputados federais e dadas pra quem pedir às nossas custas…Afinal de contas, eles também querem provar a sensação por vc descrita….
Abraço!
maio 21, 2009 às 3:10 am |
Acho que vc escreve muito bem; Terá sido a sua professorinha do colégio Objetivo-Vitória. chamada Milena que o fez ser tão bom nisso ou tá no seu DNA, o que a faz ser especial do mesmo jeito? Brincadeirinha,viu?! VC QUE É D+ MESMO!!!!!!!!!!
Bjs Tia Mi.
maio 25, 2009 às 6:08 pm |
Tu é besta hein. Fiquei rindo sozinho só de imaginar sua cara se olhando e piscando pra você mesmo. Tudo que diz respeito a você agora me lembra a quele caso da toalha de mesa presa no velcro do tênis, me cago de tanto rir.
Um abraço meu broder.
Saudades
Rafa
maio 25, 2009 às 6:10 pm |
Ah esqueci de perguntar, você estava concorrendo a uma vaga no “melhor emprego do mundo”? acho que vou dar uma passada numa ilha dessas, depois que eu vender minha vida pra pagar a viagem.
Valeu
Rafa